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AllService AI Medicina Estudos Preço da cirurgia

Fontes oficiais · Resolução CFM nº 2.336/2023 e ISAPS Global Survey 2024 · ref. set/2026

Cirurgia não tem preço no anúncio. Consulta tem.

A Resolução CFM nº 2.336/2023 libera anunciar o valor da consulta e reserva o preço da cirurgia para depois da avaliação, acordado caso a caso. Para o cirurgião, norma e venda de alto ticket dizem a mesma coisa: o anúncio vende o problema resolvido, a consulta define o preço.

Publicado em 2 de setembro de 2026

Consultório de uma clínica cirúrgica de alto padrão, mesa de nogueira com pasta de couro e celular aceso
Imagem produzida para este estudo (fotografia gerada sob direção de arte)
Resumo executivo

O mercado e a regra, em quatro números.

Dois textos oficiais, cada número com a origem colada.

2,35 micirurgias estéticas no Brasil em 2024, o primeiro país do mundo (ISAPS Global Survey 2024)
12,3%delas são lipoaspiração, a cirurgia mais feita no país: 289.766 (ISAPS)
art. 9º, VIIo valor do procedimento particular pode ser acordado entre as partes antes do atendimento (CFM)
42,5%crescimento dos procedimentos estéticos no mundo em quatro anos (ISAPS)

O mercado é o maior do mundo e a concorrência é medida em milhões de procedimentos. Nesse mercado, o anúncio do cirurgião quase nunca traz preço, e há duas razões para isso que costumam ser tratadas como uma só. A primeira é de venda: cirurgia é decisão de alto ticket, longa e individual. A segunda é de norma: a resolução separa o preço da consulta, que pode ir no anúncio, do preço do procedimento, que se acorda depois da avaliação. As duas apontam para o mesmo lugar, a consulta.

Fontes: ISAPS, Global Survey 2024 (publicado em 2025); Resolução CFM nº 2.336/2023 e exposição de motivos.

A regra

Dois preços, duas regras.

Onde cada preço mora, com o artigo ao lado.

ItemOnde moraOnde está
Preço da consultaNo anúncio e na primeira mensagemart. 9º, VI
Preço da cirurgiaacordado entre as partes antes do atendimentoNa consulta, depois da avaliaçãoart. 9º, VII
Preço de exame ou procedimento sem avaliação préviaPode ir no anúncioexposição de motivos
Meios de pagamento, parcelamento e planos aceitosNo anúncioart. 9º, V e VI
Antes e depoissó educativo, com evoluções boas, ruins e complicações, sem ediçãoCom condiçõesart. 14, II
Garantir, prometer ou insinuar resultadoNuncaart. 11, XII
"Faça a cirurgia e ganhe o exame"Nunca, é oferta casadaart. 9º, VIII

O art. 9º, inciso VI, permite informar valores de consultas; o inciso VII diz que o valor de procedimentos particulares "poderá ser acordado entre as partes previamente ao atendimento". A exposição de motivos fecha a leitura: o anúncio de preço de procedimentos e exames vale "desde que estes não dependam de diagnóstico e avaliação prévia". Cirurgia depende de avaliação por definição. O cirurgião que publica um preço fechado de cirurgia está prometendo um valor antes de examinar; o que não publica está dentro da norma.

O que a norma permite mostrar no lugar do preço é exatamente o que vende alto ticket: o ambiente de trabalho, a equipe, os equipamentos com as indicações da Anvisa e resultados comprováveis sem identificar pacientes (art. 9º, I, IX e XVI), sempre sem garantir resultado.

Centro cirúrgico moderno e vazio, com as luzes apagadas e paredes verde-claro
Imagem produzida para este estudo (fotografia gerada sob direção de arte)

Fonte: Resolução CFM nº 2.336/2023, arts. 9º, 11 e 14, e exposição de motivos do relator.

A venda

Por que o cirurgião não anuncia preço, e está certo.

Alto ticket se decide devagar, e o anúncio com número atrai quem compara número.

Uma cirurgia envolve avaliação, plano cirúrgico, risco, anestesia e recuperação. Quem decide leva semanas e compara cirurgiões, não tabelas. O preço no anúncio ancora a conversa no número e traz para o WhatsApp quem só queria o número, que pergunta, compara e some. O anúncio sem preço vende o problema resolvido e a competência de quem resolve, e deixa o valor para o momento em que ele pode ser dito com responsabilidade: depois de examinar.

É o mesmo padrão que o Global Survey da ISAPS mostra em escala: 2.354.513 cirurgias estéticas no Brasil em 2024, o primeiro país do mundo, com a lipoaspiração na frente (12,3%), o aumento de mamas (9,9%) e a blefaroplastia (9,8%) logo atrás. Num mercado desse tamanho, o cirurgião não compete por preço no anúncio; compete por confiança na consulta.

Fonte: ISAPS, Global Survey 2024, edição em português, com os dados por país; o Brasil também é o segundo em procedimentos não cirúrgicos, atrás dos Estados Unidos.

A conversa

A conversa antes da consulta não é para vender. É para separar.

Se o preço só existe na consulta, a primeira mensagem tem outro trabalho.

O paciente que chega pelo anúncio pergunta quanto custa a cirurgia. A resposta certa, dentro da norma, é uma só: depende da avaliação; a consulta custa determinado valor; existe horário. Quem só queria o número vai embora antes de ocupar a agenda, e quem tem perfil sobe para a consulta com o procedimento de interesse já declarado, particular ou convênio, região e urgência registrados.

Essa conversa é administrativa por norma, não por escolha: diagnóstico, indicação e prognóstico ficam para a consulta (art. 9º, XII, e art. 11, XI). É a triagem que a AllService aplica: a conversa informa e separa, o cirurgião precifica e decide. O tempo dessa primeira mensagem importa tanto quanto o conteúdo: nas 2.716 conversas de WhatsApp que lemos em julho de 2026, um em cada três leads some antes da primeira resposta, e a auditoria da Harvard Business Review mostra que responder em até uma hora qualifica sete vezes mais.

Mãos de uma recepcionista segurando um celular no balcão de mármore de uma clínica, com uma conversa desfocada na tela
Imagem produzida para este estudo (fotografia gerada sob direção de arte)

Como a AllService recebe o paciente do anúncio: Medicina. O que a resolução permite no anúncio e na primeira mensagem, artigo por artigo: Pode pôr o preço da consulta no anúncio?.

Limitações

O que este estudo não é.

Não é parecer jurídico. É a leitura do texto da resolução; a Codame do CRM responde consultas sobre peças específicas (art. 13, V, e art. 16, I), e o Manual da Codame traz detalhes que não estão aqui (art. 2º).

Os números da ISAPS são estimativas por país a partir de pesquisa com cirurgiões plásticos, publicadas em 2025 sobre 2024; servem para dar o tamanho do mercado, não para medir a clínica do leitor.

Não há dado próprio de clínica cirúrgica nesta edição. As 2.716 conversas citadas são de advocacia e entram só pelo comportamento do lead, que atravessa segmento.

Fontes

Tudo citado, tudo conferível.

Resolução CFM nº 2.336/2023, DOU de 13 de setembro de 2023, em vigor desde 11 de março de 2024, com a exposição de motivos do relator. ISAPS, Global Survey 2024, edição em português, publicada em 2025.

Próximo passo

O paciente pergunta o preço da cirurgia às 22h. Alguém precisa responder certo.

Veja como uma triagem por conversa recebe o paciente do anúncio da clínica cirúrgica: responde com a regra, informa o valor da consulta, pergunta o que separa e marca na agenda.

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